Terminei de ler O mundo pós-aniversário. Ontem escrevi um mega post falando de algumas coisas que o livro me fez pensar, mas tirei o post porque, ao final, cheguei à conclusão de que eu também tinha caído numa armadilha (maravilhosamente mostrada pelo livro), mas uma armadilha contrária: a de achar que a estabilidade é boa e ponto final. Que arriscá-la é sempre um risco desnecessário e, pior, potencialmente destrutivo.
Vou falar prá vocês: o livro é fantástico. Num certo momento, achei que ele estava indo prá um caminho que poderia ser moralista demais (como eu acabei sendo no post de ontem), valorizando a estabilidade pela estabilidade, independente de qualquer outra coisa. Mas a autora foi fantástica. A maneira como construiu, na narrativa, um grande de ponto de interrogação sobre qual é, de fato, a boa opção foi genial. Porque na verdade, a gente tem que aprender que não existe a boa opção. Nenhuma decisão nos leva para o céu ou o inferno na terra. Esses lugares não existem (não aqui, pelo que eu acredito). Na verdade talvez a gente viva num verdadeiro purgatório, cheio da esperança de chegar ao paraíso mas também triste por ainda não estar lá.
O livro me serviu como uma terapia mesmo. Tão boa que, como nas boas terapias, me levou a enxergar com olhos bem abertos todas as possibilidades, e não apenas as que eu, de antemão, queria ver. Recomendo demais e acho que ainda vou relê-lo. Ponto prá Lionel Shriver.
Acho que vou colocar o post moralista de ontem de novo, prá deixar registrada a inconstância das minhas conclusões e minha alegria patética com o que não existe, rs...