Tristeza profunda

Terminei agora de ler Reparação, do Ian McEwan, que a Tainá me emprestou. A história me tocou tanto. É uma das mais tristes que já li e, ao mesmo tempo, a narrativa é incrível. Tenho certeza que não vou conseguir falar nada decente ou organizado sobre o livro, mas... Nossa. Estou procurando textos sobre o livro e o autor e achei um adjetivo adequadíssimo: perturbador. É isso. O livro me perturbou. Demais até. Acho que todo mundo tem certa atração pelas tragédias e o livro dá mais do que isso. É daquelas em que você pensa que nada é possível a não ser o desespero absoluto. Como é possível ser feliz depois de certos acontecimentos? Depois de destruir a vida de tantas pessoas e a sua própria? O que se faz depois disso?

Amei, amei o final (que não vou contar). Porque dá o sentido de narrativa que acho que tento dar para a minha própria vida e que acho que fica mais forte quando estivermos perto de morrer. Talvez seja besteira (coisa de gente imaginativa), mas eu fico também imaginando a vida como uma narrativa e me pergunto: como a contaria aos oitenta anos? Qual é a espinha dorsal da minha história? Quais os grandes acontecimentos? Ou melhor, quais acontecimentos mudarão o rumo da história mesmo que ao vivê-los eu nem imagine que isso é possível? (É um pouco do que pensei lendo O mundo pós-aniversário, pensando bem). Será que minha história é uma tragédia ou uma novelinha sem grandes emoções, só com a graça (relativa) do cotidiano?

Achei essa entrevista com McEwan, que vou ler agora. Se alguém se interessar...