Sábado terminei de ler Correio do Tempo e comecei o que a Ana me emprestou: O mundo pós-aniversário, de uma autora que eu também não conhecia, chamada Lionel Shriver. É a história de uma mulher que tem um casamento super estável e um amigo com quem sai prá jantar (junto com o marido) todo ano, sempre no mesmo dia. Num desses jantares, o marido está viajando e não vai. Ela vai sozinha. E no fim da noite tem uma intensa vontade de beijar o amigo.
A partir daí, o livro se divide em duas narrativas: uma conta a história dela se tivesse beijado e a outra se não tivesse beijado. Falando assim, parece básico e aquelas coisas em que a gente sempre pensa (e se eu não tivesse ido em tal lugar tal dia e encontrasse tal pessoa? e etc), mas o livro é um soco. Fala muito bem de relacionamentos estáveis e, eu acho, das responsabilidades que temos para que as coisas se mantenham ou acabem. Acho que é comum pensarmos que as relações têm vida própria, mas o fato é que não é bem assim. Não sou ingênua de achar que os casamentos são só o que queremos que eles sejam (como lembro de ler Maria Mariana dizer na Capricho nos anos 90, hihihi), mas sei também - e de novo o mesmo papo - que são as nossas escolhas que direcionam nossa vida para o lado A ou B (o que o livro quer mostrar, no fim).
Tem uma coisa bacana na história que é o fato do amigo ser um jogador profissional de sinuca. E ele repete sempre que a sinuca ensina que não há "e se" na vida. E se eu não tivesse ligado? E se eu não tivesse beijado? E se a bola x tivesse entrado? Ou, como disse a Ana no sábado, quando comentávamos o livro, não existe a redenção que apaga as besteiras que fazemos. Há, sempre, novas possibilidades. Só.
Básico, mas ainda assim sempre um soco.