Reli o post e reveria algumas coisas, mas segue como foi escrito pela primeira vez:
Continuo fissurada lendo o livro que citei ontem e ele está funcionando como terapia prá mim. Uma boa terapia, que fique claro. Porque, lendo, acho que consegui enxergar o que me parece ser uma dinâmica feminina universal e que eu, claro, também tenho. É claro que a expressão é preconceituosa e que generaliza algo que não pode ser generalizado (nós!), mas vou me permitir essa limitação para expressar o que quero dizer.
Como comentei ontem, o livro fala de uma mulher que tem um casamento estável e que de repente se envolve com um amigo do marido. À parte do tema traição (que não é meu foco aqui), me chamou a atenção demais ver a autora expondo as razões que levaram a personagem a de repente se sentir atraída pelo cara e avaliar tão mal o próprio casamento. Em síntese, ela diz que o casamento caiu na rotina, que não tem mais emoção e nem provoca nela sensações interessantes e que o possível amante "acendeu" sua vida, que andava morna e na penumbra. Num resumo bem mal feito (e que retira todas as maravilhosas reflexões da autora), é isso o que acontece e é assim que a Irina, personagem do livro, enxerga a vida que tem e a que pode ter.
A descrição sobre como o amante causa nela sensações novas e emocionantes foi como um pisca alerta prá mim. O relato minucioso de como é a vida dela depois de abandonar o marido e ficar com o amante também. Porque, de repente, meio que enxerguei uma armadilha em que as mulheres várias vezes se vêem, estando ou não diante de um cara sedutor que pode abalar um relacionamento estável. Eu acho que é inevitável que as relações (e todas as coisas da nossa vida) entrem numa rotina. Numa certa estabilidade. Aquela adrenalina causada pela incerteza, obviamente, deixa de existir quando há a certeza da pessoa ali do lado, dividindo a vida com você. E essa falta de adrenalina causada pela estabilidade pode ser justamente o que gera a interpretação de que a vida não tem mais emoções, nem novidades, nem prazer. Ou, em outras palavras, o que faz com que achemos que a vida está acomodada em algo nem ruim nem bom, mas apenas insosso.
É claro que, diante disso, a tentação de buscar a tal da adrenalina aparece, assim como o mesmo impasse da Irina: jogar pro alto o que me dá segurança, estabilidade e, também, uma felicidade calma e trocar isso por borboletas no estômago todos os dias?
Eu acho que o impasse é uma armadilha porque as borboletas sempre vão embora (e o sumiço delas - mesmo que temporário - não é a consequência de um amor que fica?) e a adrenalina sempre passa. Se não há nada mais para sustentar a relação (e só a adrenalina) o resultado é a sensação de engano, de ter sido ludibriada (ponto da história em que eu estou).
É possível que eu esteja sendo muito influenciada pelo livro, mas tenho pensado demais que é sinal de maturidade viver a adrenalina quando ela vêm naturalmente (no início de um amor ou quando se tem 18 anos) e aceitar que, nos relacionamentos estáveis, ela dá mesmo lugar a algo diferente (mais calmo, sim, mas não pior). Essa maturidade seria, então, viver cada coisa no seu tempo - tempo cronológico mas também o da relação - e encarar com naturalidade as mudanças. Viver em busca de emoções fortes não é meu modelo de felicidade e eu fico feliz de reconhecer o buraco lá na frente para conseguir me desviar dele quando encará-lo. Meio que eu gosto da sorte de um amor tranquilo, sabem? Por aí.