Ainda pensando sobre a internet

Estou bastante empolgada com a ideia de ter encontrado, na internet, um objeto de estudo que me intriga e me motiva a investigar, refletir e, quem sabe, pesquisar oficialmente. Esse fim de semana comprei dois livros que acredito que vão me ajudar demais. Um se chama O Culto do Amador e foi escrito por Andrew Keen, o fundador do Audiocafe.com. Já comecei a ler e ele faz uma crítica muito forte à internet e ao que estamos fazendo nela e com ela.

Como o assunto é complexo e eu ainda estou começando a leitura, vou colocar aqui o texto da contracapa do livro: sem medo de parecer radical, Andrew Keen expõe neste livro as preocupantes consequências da Web 2.0 e revela como ela está ameaçando nossa cultura, valores e criatividade. É a celebração do amadorismo: qualquer um, por mais mal-informado que seja, pode publicar um blog, postar um vídeo no YouTube ou alterar um verbete na Wikipédia. Esse anonimato da web põe em dúvida a confiabilidade da informação. E a distinção entre especialista e amador torna-se cada vez mais ambígua... Keen - ele mesmo criador de várias empresas na internet - nos incita a considerar as implicações de apoiar cegamente uma cultura que endossa o plágio e a pirataria, enfraquecendo a mídia tradicional e as instituições criativas.


Além disso, há algo importante que ele considera no início do livro e que diz respeito ao conteúdo do que estamos produzindo e consumindo na internet. Ele menciona o fato de termos tanto conteúdo narcísico na web (orkut, facebook, blogs diarinho - \o/)  e tanta informação não especializada, que não tem credibilidade nem qualquer compromisso com a verdade ou a ética. Achei interessante porque é algo que eu observo no meu próprio consumo (e que acho que é o mesmo de muita gente): a internet parece ter virado um instrumento alienador, em que perdemos muito tempo acessando o que é absolutamente irrelevante. O que ganhamos com isso? O que deixamos de ganhar se nos gastamos com isso?

Outras perguntas que ele coloca dizem respeito à mídia tradicional e aos produtores culturais tradicionais: como eles vão se sustentar no embate com um universo como o da web em que todo mundo produz, distribui (ilegalmente) e consome?

O livro está me fazendo refletir bastante e me envolver ainda mais num debate que já me interessa há algum tempo: a internet e as implicações do seu uso no nosso comportamento, na cultura, nos valores e no nosso desenvolvimento intelectual. Eu não tenho posição definida ainda, só um monte de perguntas, mas estou feliz por ter encontrado algo que me interessa tanto. Vejo um caminho bem longo de estudos e reflexões daqui pra frente, mas tenho ficado muito entusiasmada com ele.

O outro livro eu ainda não comecei e se chama Narrativas telemáticas, da Beatriz Bretas.