Reencontro, vida, mudanças, filho

Quando eu comecei a escrever em blog, em 2002, conheci o de uma menina chamada Thais com quem me identificava muito. Ela era um pouco mais nova do que eu, fazia publicidade (eu já tinha me formado), gostava de Beatles (bem mais que eu, é verdade) e, por isso e vários outros motivos que não sei explicar, eu sentia uma afinidade silenciosa por ela (como são quase todas que eu tenho na internet). Se não me engano, nunca conversamos, mas eu a li por um tempo.

Nessas idas e vindas com blog, constantes mudanças de endereço e a correria própria da vida, a perdi de vista. De vez em quando me perguntava como ela estaria, do mesmo jeito que a gente faz com aquelas pessoas de quem a gente gosta mas com quem não tem contato.

Ontem eu a reencontrei. 8 anos depois. Ela está casada e tem um filho, o Paul (tê-la lido naquela época me fez entender a escolha do nome e achá-lo especialmente bonito). E escreve neste blog. Eu fiquei bastante emocionada com este reencontro, acho, porque observar todas essas mudanças na vida dela me fez pensar também na minha vida, que também mudou demais. Ou melhor, acho que eu mudei mais interior do que exteriormente, apesar de saber que vivi alguns rompimentos e transformações também visíveis para os que me vêem de fora.

Li boa parte do novo blog da Thais e, claro, pensei muito em maternidade, um assunto que está bastante em pauta no meu coração (seja pela idade, pelo casamento ou mesmo por ver as pessoas à minha volta - real e virtualmente - tendo filho). De tudo o que li e vi, o vídeo que está neste post me tocou ainda mais. Porque tive a sensação de ver uma pessoa que cresceu mantendo sua essência - a música, a arte, a criação - e está passando-a para o filho (e que momento doce e suave o que ela registrou e dividiu!). O que, claro, me faz pensar também na minha essência e no que eu passarei para o meu filho quando ele existir. Esse é um assunto que dá pano prá manga e que já gastou várias sessões de terapia no passado, mas hoje me sinto mais confortável sabendo que minha constância talvez seja a mudança, os múltiplos interesses, a busca sempre inquieta por aquilo que pode me emocionar, transformar, tocar de alguma maneira... Se meu filho não se cansar com tanto movimento à volta dele, acho que poderá se divertir um bocado e achar o mundo um lugar surpreendente - como eu também acho.

Encontrar o blog da Thais e me sentir tão mexida com ele me fez pensar também na internet e no quanto ela é poderosa. É possível, sim, sentir afeto e desenvolver vínculo com pessoas que estão muito distantes de nós. Pessoas até que não conhecemos. Isso me encanta um bocado e acho que é, também, uma das razões pelas quais gosto tanto de blog.